Depoimentos

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Como CCA mudou a minha vida?
Reunião comigo mesma
Nesse fim de semana fui à reunião dos meus 20 anos de formatura do Ensino Médio. Muitas mudanças ocorreram na minha vida desde que eu concluí o Ensino Médio. As mais significantes foram aquelas que ocorreram dentro de mim ao longo desses 6 anos de recuperação em CCA.
Durante o Ensino Médio eu não comia com os outros alunos no refeitório. Eu comia em um box de banheiro. Agora, eu sei que comedores compulsivos tipicamente mantêm uma relação privada com a comida. Eu também me lembro que eu comia porque eu queria parar o barulho constrangedor vindo do meu estômago e não porque eu estava com fome. Com o passar dos anos eu iniciei um padrão de comer após o anoitecer. Eu me enfiava em uma grande e confortável coberta e esperava até que eu estivesse sozinha.
Quando a turma se reunia, as pessoas comentavam sobre como eu era tímida e como eu colocava o cabelo sobre a minha face para me esconder. Aqui estou eu, interagindo com as pessoas e sendo super extrovertida. Esta é quem eu sou agora. Uau! Obrigada Deus. Durante a noite eu vi a cara de uma outra CCA no meio da multidão. Que presente!
A noite estava sendo curada. Eu percebi que enquanto eu usar os instrumentos do programa e segurar nas mãos do meu Poder Superior, eu irei a qualquer lugar que o meu Poder Superior quiser que eu vá.
Hoje, eu me sinto bonita, viva, amorosa, sábia, e capaz de trabalhar duro sendo eu mesma. Obrigada Deus. (Fonte: Revista Lifeline - Dezembro, 2000)


Lar doce Lar
Razões aos montes
Vim para o CCA porque eu estou com fome.
Estou com fome de ser escutado, de ser levado a sério. Preciso que me dêem tempo e atenção. Quero que as pessoas olhem para mim quando falo com elas. Vejo esta mesma fome nos outros, naqueles que agem agressivamente e no entanto gritam em silêncio: “Olhem para mim. Vejam que eu existo”.
Vim para o CCA aprender a sentir. Tenho me destruído com entorpecimento, compulsões e devaneios. Tenho um bilhão de lágrimas não derramadas. Quero ser capaz de expressar minha fúria. Preciso da cura que se obtém ao ser deixado sozinho, sem críticas ou agrado, quando só preciso de espaço.
Estou faminto por ser tocado e quero ser abraçado. Há muitos anos não deixo ninguém se aproximar de mim, meus melhores amigos foram personagens de romance. Preciso de abraços, principalmente quando estou com raiva, que é um disfarce do meu medo. Nada me faz derreter mais rápido do que um abraço caloroso.
Quero ser compreendido para contar aos outros minhas loucuras sem que eles arregalem os olhos. Quero que os outros me escutem e digam: “Eu o compreendo porque também estive lá”. É importantes estar perto de pessoas que falem nossa língua, a linguagem do coração. Tenho fome de ser aceito quando divido minhas vergonhas secretas. Dê-me audiência sem censura. Guarde o que digo como confidencial.
Procuro pessoas que sejam pacientes, que percam tempo tentando transpor minha fachada algumas vezes fruta e que desculpem quando eu tropeçar.
Preciso estar ao redor de pessoas que me lembrem de buscar “o progresso, não a perfeição” e que me digam “não vá embora antes que o milagre aconteça”. Preciso de encorajamento que me diga que eu posso me tornar inteiro. Preciso ver e ouvir falar de recuperação para que eu possa manter uma atitude de esperança.
Preciso estar perto de pessoas que estejam praticando os princípios em todos os seus assuntos, pessoas que incorporam fé, serenidade, moderação e gentileza. Ajuda verificar que membros que passam dificuldades se fortalecem quando mantém um contato consciente com o Poder Superior. Esses exemplos permanecem comigo, mesmo depois da reunião, gravados firmemente no meu coração.
Estou faminto por honestidade. Ouvir membros serem eles mesmos, dividindo sua dor sem nenhuma abstração, chavão ou representação, apenas a pura experiência que me dá força e esperança.
Quero rir, principalmente de mim. Quando conto como engolia barras de doce enquanto lia livros de nutrição, preciso ouvir a música curadora da risada.
Tenho fome de responsabilidade, das pessoas expressarem sua confiança em mim. Sou grato por ter a oportunidade de prestar serviço, sentir-me necessário e útil.
Vim para o CCA para estar ao redor das pessoas que buscam o que está certo em vez do que está errado, pessoas que falem de gratidão. Preciso ouvir as pessoas aplaudirem as histórias dos outros, mesmo que eles tenham contato um vitória ou a dor de um erro.
Estou ansioso por aprender. Minha alma alimenta-se quando ouço falar de um Poder Superior terno e ao viver um dia de cada vez.
Estou faminto por amor, por fazer parte de algo, de sentir que eu pertenço. Sinto isso na energia do final das reuniões, fazendo-me querer demorar-me em abraçar cada um.
Preciso ficar num lugar seguro, onde os princípios estejam acima das personalidades, onde o forte não domine o retraído. Gosto do processo ordeiro de saber o que esperar.
Quero retribuir o que recebi, dividir com os outros o que aprendi. Quero mostrar meu crescimento na recuperação e levar a mensagem que fala do trabalho dos 12 Passos, soprando velas nos aniversários de minha abstinência. Quero estar lá para as pessoas, da mesma forma que elas lá estiveram para mim.
Algumas vezes, tarde da noite, eu ainda fico com fome. O vazio me engole na hora em que não há reunião ou ninguém para telefonar. Mas agora, sei como alimentar essa fome. Abraço-me, escrevo uma lista de gratidão, perdôo-me, aceito-me, rio de mim mesmo e tenho uma conversa franca com o Poder Superior.
No dia seguinte, anseio por encontrar alguém cujo olhar esteja dizendo: “estou com fome”, talvez um novato escondendo-se num canto ou um membro antigo, voltando 25kg mais gordo e dizendo: “gosto do que vocês compartilham” ou “essa sua blusa é muito bonita. Posso te abraçar?”
 (Fonte: Revista Lifeline - Fevereiro,1990)

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu amei esse depoimento. Ele me descreveu de inúmeras formas ��

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